Infâncias incluídas? Políticas públicas e contradições da universalização na Educação Infantil
Palavras-chave:
Educação Infantil, Políticas educacionais, Inclusão escolar, Desigualdades federativas, Direito à educaçãoResumo
O artigo analisa criticamente as relações entre políticas públicas educacionais, direito à Educação Infantil e inclusão de crianças público-alvo da Educação Especial no contexto brasileiro contemporâneo. Parte-se da compreensão de que a consolidação da Educação Infantil como direito social implica não apenas a ampliação do acesso, mas a garantia de condições institucionais, pedagógicas e financeiras capazes de assegurar a equidade educacional desde a primeira infância. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa de natureza bibliográfica e documental, articulada à análise de dados estatísticos do Censo Escolar sobre a evolução das matrículas na Educação Infantil no Brasil e no Estado do Rio de Janeiro. Os resultados evidenciam expansão do atendimento nas últimas décadas, especialmente na etapa da creche, acompanhada de retrações conjunturais e persistência de desigualdades territoriais associadas às capacidades fiscais e administrativas dos entes subnacionais. Observa-se, ainda, crescimento das matrículas de crianças público-alvo da Educação Especial, indicando o fortalecimento do paradigma inclusivo, embora condicionado por limites estruturais relacionados ao financiamento educacional, à formação docente, à oferta de atendimento especializado e às transformações recentes nos modelos de provisão educacional. Conclui-se que a efetivação do direito à Educação Infantil inclusiva requer o fortalecimento da provisão pública direta, a ampliação da cooperação federativa e a articulação de políticas intersetoriais orientadas pela promoção da equidade e da qualidade social da educação.
Referências
BALL, Stephen. Educação global S.A. Porto Alegre: Penso, 2014.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:
Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de
Educação (2014–2024). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 jun. 2014.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução
CNE/CEB nº 1, de 17 de janeiro de 2024. Institui as Diretrizes Operacionais
Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil. Diário Oficial da União:
Brasília, DF, 18 jan. 2024.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 5, de 17 de
dezembro de 2009. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil. Brasília: CNE, 2009.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Brasília: MEC, 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Infantil (PNEI).
Brasília: MEC, 2025.
BRASIL. Ministério da Educação – MEC. Parâmetros Nacionais de Qualidade e
Equidade para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2024.
BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva.Brasília: MEC/SEESP, 2008.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Direito à educação: direito à igualdade, direito à
diferença. Campinas: Autores Associados, 2002.
DOURADO, Luiz Fernandes. Políticas e gestão da educação básica no Brasil. São
Paulo: Xamã, 2016
KASSAR, Mônica. Educação especial: políticas e práticas. Campinas: Autores
Associados, 2011.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar. São Paulo: Summus, 2015.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e
criatividade. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.
QEDU. Censo Escolar- matrículas na Educação Infantil. Disponível em:
https://qedu.org.br/brasil/censo-escolar Acesso em: 21 mar. 2026.
SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 19. ed.
Campinas: Autores Associados, 2008.